![]() Bardetango O Portal do Tango no Brasil Aulas de tango - aprenda a bailar facilmente www.bardetango.com.br História do Tango no Rio de Janeiro |
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História do Desenvolvimento do Movimento do Tango no Rio de Janeiro |
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Autor: Ney Homero da Silva Rocha © Registrado no MINC - Fundação Biblioteca Nacional - em 09/06/2000 sob o n.º 202.466 - Livro 350 - Fls. 126 |
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IntroduçãoA primeira parte da história do desenvolvimento do movimento do tango no Rio de Janeiro, foi publicada por este autor no Jornal Dance News, em Julho de 1988 na Coluna Los Milongueiros, para atender a solicitação da direção do Jornal, que pretendia divulgá-la naquela ocasião em que se comemorava os seis anos de realização do primeiro baile oficial de tango, em local público no Rio de Janeiro. O baile La Milonga no Elite Clube, que marcou a época do glamour do movimento do tango. A historia foi contada com o título: O Tango do Show ao Salão. A partir do lançamento do livro Tango Uma Paixão Porteña no Brasil também deste autor, em dezembro de 2000, esta história foi atualizada no capítulo IV do livro e mais tarde, desde novembro de 2001, passou a ser atualizada também neste site Bardetango. As novas atualizações, destacam os fatos relevantes que contribuem para consolidação do movimento do tango no Rio de Janeiro, sem a preocupação com a repetição de detalhes rotineiros inerentes ao próprio movimento do tango, relatados anteriormente que vão se reciclando, mudando apenas os protagonistas e os personagens. A
história original divulgada no livro e a seguir na Internet, compreende
os três primeiros capítulos desta crônica e partir de então, vem sendo
atualizada como continuação da terceira parte - a época do modernismo
do movimento do tango no Rio de Janeiro.
Primeira Parte Conforme o editorial do DN na citada coluna LOS MILONGUEIROS, esta parte começa por meados do século XX terminando em julho de 1998, e está
compreendida pelas Épocas: .
Época
Pré-Eliteana, até 1992: quando predominava o Tango
Show;
. Época Pós-Eliteana, de 1992 a
1998: quando se desenvolvia o Tango
de Salão. Essa parte da
história foi contada retratando: "O TANGO DO SHOW AO
SALÃO". Segunda Parte A Época da afirmação e da consolidação do movimento do tango
de salão, no Rio de Janeiro, após julho de 1998 até dezembro de 1999, final do
século XX: época de curta duração, mas de intenso crescimento do
movimento do tango, caracterizada
pelo grande número de bailes e eventos de tango apoiadas numa divulgação
moderna, por meios eletrônicos e
pela expansão da mídia, em torno desse movimento. Terceira Parte Época Moderna, início do século XXI: Caracterizada pelo movimento do tango já consolidado e pelo constante desenvolvimento da prática da dança, além do surgimento de uma grande variedade de locais para dançar e por um maior intercâmbio, através de cursos e workshops ministrados por mestres famosos de tango, de nível internacional e pelo crescente número de adeptos do tango. PRIMEIRA PARTE Épocas:
Pré-Eliteana e Pós-Eliteana Jornal
Dance News - Julho de 1998
LOS MILONGUEIROSPor:
Ney Homero da Silva Rocha
O TANGO DO SHOW AO
SALÃO
Perto de completar no mês de abril próximo, seis anos da
realização do primeiro baile oficial de
tango na Cidade do Rio de Janeiro e, como parte das festividades de
comemoração, com um baile/show, na
Gafieira Elite, contaremos um pouco da estória do tango praticado antes dos
anos 90 (Tango Show) e do tango pós
90 (Tango de Salão), o qual se
desenvolveu mais fortemente a partir do primeiro baile de tango oficial da
cidade, no Elite Clube em 1992 (Época Eliteana), e posteriormente
até os dias de hoje, quando se conta com um grande número de adeptos, participantes apaixonados pelo Tango de Salão (Época Pós-Eliteana). Para falar desse assunto tão empolgante, fomos gentilmente
convidados pela Direção do Jornal Dance
News, através de seu presidente Sr.
Wanyr de Almeida, ao qual agradecemos, sentindo-nos honrados com a
oportunidade. Não basta apenas estar participando por cerca de nove anos, ativamente do
movimento e da evolução do tango no Rio de Janeiro para falar do assunto.
Obviamente tivemos que procurar os personagens que foram e
estão sendo os principais responsáveis pelo desbravamento e pelo desenvolvimento
do tango no Rio e, com eles conversar, aprendendo um pouco mais da estória dessa
evolução, para contá-la à comunidade de adeptos do tango, praticantes e não
praticantes: Leni Fiori formou par com Trajano na década de 40, por cerca de
oito anos, tendo se apresentado por toda América Latina, fazendo shows de tango,
desde o Teatro Solis em Montevidéu (Uruguai), com a Orquestra Típica de Donato
Racciatti. Depois, por mais quinze anos, em parceria Leni e Amauri fizeram também muitas
apresentações de tango inclusive em Buenos Aires, dançando com a Orquestra Típica Mi Buenos Aires
Querido, do Maestro Brandon,
usando o pseudônimo de Los
Porteñitos. Leni, com
Trajano, bailarino e coreógrafo formado no Teatro Municipal do Rio de
Janeiro e, também com Amauri, foram os primeiros
professores de tango conhecidos, no Rio de Janeiro. Leni também formou parceria de tango por dois anos com o mestre Russo em 90/91. Leni conta que começou a dançar aos 10 anos, por influência de
sua tia,
Lena Garcia, cantora de tangos do antigo Night and Day, em shows de Carlos
Machado, que a ensinou a dançar o tango. Leni Fiori tem verdadeira paixão pela dança de salão, em especial pelo
tango, mas gosta muito de samba também. Conta que antes do tango, já era
dançarina e fez muitos shows de samba. Leni critica na dança de salão atual, a má postura dos casais, os
quais estão dançando tortos e critica também, a colocação no samba de gafieira,
de passos do tango. Para ela o seu estilo de tango é o Criollo-Show e com emoção fala da
criatividade e improvisação, que não se vê muito nos dias de hoje porque em sua
opinião basta ver um casal dançando num baile para se ver a todos, pois dançam
em geral todos iguais, tal como aprendem em academias, sem acrescentarem nada de
si próprios em termos criativos, com raríssimas exceções. Leni conta que nos bailes
de antigamente se dançava sempre uma rodada de tango por cerca de 15
minutos, cada um do seu jeito.
Maria Antonietta Guaycurús de Souza que além de renomada mestra de dança de salão, é uma
pessoa estudiosa que lê muito sobre o assunto, nos conta que nos anos 20 se dançava o tango de
salão da época, em Belo Horizonte, na Faculdade de Medicina nos finais de
semana. Segundo Antonietta, também em São Paulo, nessa mesma época, se
dançava o tango de salão, enquanto que no Rio de Janeiro o tango da época, era o
tango show, dançado por cerca de dois a três casais somente, em Dancings
e Gafieiras. Maria Antonietta fala ainda, que nos anos 40 na Academia Morais, onde
aprendeu a dançar e tornou-se praticante e professora, havia semanalmente sabatinas de tango, por
cerca de 2 horas. Com orgulho fala de seu professor de tango, o mestre argentino, Roberto de Aquino nos anos 78/79. Antonietta também fez várias apresentações de tango show, no Brasil e na Argentina,
com diversos parceiros e, faz questão de citar nomes importantes da época no
Rio, tais como: Leni/Amauri/Trajano/Mário Jorge/Irani/Esquerdina/Jacira
(Mudinha), entre
outros e Jorge Paulo, mais recentemente. Jorge Paulo foi o idealizador e fundador, em 25/07/1997, do CLUBE DO
TANGO DO BRASIL e do PLANETA TANGO, cuja sede
social, foi oficialmente inaugurada
em 05/03/1998, no Bairro da Lapa, Rio de Janeiro.
Jorge Paulo nos fala de suas duas mais importantes parceiras de tango
show, Ângela Loureiro e Marina
Salomão. Fala com orgulho de suas
participações em shows, em cinema, teatros e boites, com destaque para o
filme, A Ópera do
Malandro. Eric Mueller, conta que em 1987 ao chegar de Buenos Aires, fora apresentado ao mestre Jaime Arôxa, pelo mestre João Carlos Ramos, Diretor da Cia.
Aérea de Dança, e que em meados de julho daquele ano ministrou um curso de
tango por dois meses na Academia de
Jaime Arôxa, ocasião em que conheceu Jeusa Vasconcellos, que de sua aluna, veio a se tornar parceira, até os
dias de hoje. Eric e Jeusa, mestres de tango, ministraram aulas no Dance
Studio no bairro do Catete por cerca de um ano 87/88. Depois passaram um ano fora do Brasil a
ao retornarem ministraram por mais um ano um curso de tango também no bairro do
Catete, no Casarão do mestre Oswaldo, em
89/90, onde surgiram as primeiras práticas de tango por cerca de um ano. Jaime Arôxa, no início de 1990, começou um curso de tango em sua Academia
em Botafogo, sendo um desbravador das Milongas e de grandes mestres de tango em
Buenos
Aires
promovendo a ida das primeiras comitivas de brasileiros à Argentina, para
aprender e desenvolver o tango, bem como a descoberta de bons mestres de tango,
alguns dos quais vindo a seu convite, ensinar no Brasil, tais como: Mingo e Esther, Alejandra e Norberto,
entre outros. Nessa ocasião, como seu aluno de dança de salão desde 1987 e de tango
a partir do início do curso e durante três anos, tive a sorte de participar de duas
memoráveis jornadas a Buenos Aires em 91 e 92, em grupos de cerca de 40 pessoas,
entre alunos e professores, na companhia também de Inácio Carvalho, então sócio de
Jaime Arôxa. Ainda final dos anos 90, na Academia do mestre Carlinhos de Jesus, Eric e
Jeusa, também ministraram um curso de 3 meses de tango, bem como, na mesma
época o fizeram no Forró Forrado, no
bairro do Catete, sede da Cia. Aérea de
Dança, de João Carlos
Ramos, que junto a sua Companhia de Dança, fez vários shows de tango em
teatros, no Circo Voador, onde
também, se apresentaram Jaime e
Patrícia, Eric e Jeusa, Paulo e Márcia, Carlos e Alícia, Maria Antonietta,
com vários parceiros, entre outros, inclusive nós, como seus
alunos. Em 1990, Jaiminho, como é carinhosamente tratado, promoveu bailes de tango em sua Academia
quinzenalmente durante um ano
e, nessa mesma época, sua assistente a Prof.
Dorinha, promoveu diversas práticas de tango em
sua
casa, no bairro do Flamengo. Em 1991 no Avatar em Botafogo, Eric e Jeusa
ministraram um
curso de tango por cerca de um ano, onde também faziam práticas e algumas festas de tango. Nessa ocasião comecei a fazer também, aulas de tango com eles desde o início do curso e
continuando por cerca de 3 anos, em diversas outras ocasiões e novos locais. Nesse mesmo ano de 1991, a dançarina Dirce, com a ajuda também, das dançarinas, Jaci e Luíza, promoveram no bairro do Humaitá, aos sábados, bailes mensais de tango, no salão de festas do prédio de Dirce, por cerca de um ano. Em abril de 1992, Eric e Jeusa, inauguraram o 1º Baile Oficial
de Tango, fora das Academias,
isto é, num Clube aberto, no Rio de Janeiro. O Baile chamado La Milonga, contribuiu
decisivamente para o desenvolvimento do tango de salão, a moda genuinamente
portenha nos seus mais variados
estilos, no Rio de Janeiro. No
Elite Clube, o baile La Milonga, permaneceu por dois anos, também sob a direção
de Paulo Araújo, então colaborador de Eric e Jeusa, que assumiu a
responsabilidade pela continuidade do baile, nos períodos de viagem de Eric e Jeusa a Europa e, instituiu
uma Prática de Tango, as segundas feiras,
permanecendo o baile La Milonga, às quartas feiras. Pouco
depois do retorno da Europa, de Eric e
Jeusa o baile La Milonga, foi
transferido para o Clube Olímpico, em Copacabana, onde permaneceu de 94 a 95 e, ainda em 1995, transferiu-se para
o Clube Gurilândia em
Botafogo, sob a mesma
organização de Eric e Jeusa, mas, contando também, com diversos outros
colaboradores nas ocasiões de novas viagens do casal organizador. Foram eles:
Odevaldo, Sergio Maciel, Marcinha,
Luíza, Dirce, Jaci, Plínio, Elís e Gerson. O baile La
Milonga, já está completando 6 anos de existência, caracterizando, assim, a Época Eliteana, na qual nota-se um grande desenvolvimento na forma de dançar o
tango de salão e com um crescente número de adeptos. O Baile La Milonga,
marcou a época, do período de maior romantismo do tango, no Rio
de Janeiro, devido
ao encantamento e o
glamour que
despertava. Em 1995, surge a prática de tango dos mestres Paulo Araújo e
Ângela Cepeda, discípulos de Eric e Jeusa, no Lugar Comum em Botafogo, um local
extraordinário que fora conseguido As Práticas no Lugar
Comum, às segundas-feiras, permaneceram desde então até hoje muito
concorridas. Aulas e práticas de tango, ocorreram por vários meses, na Casa de Dança de Carlinhos de Jesus,
promovidas por Eric e Jeusa e
seus discípulos professores Plínio e
Elis, no ano de 1995, semanalmente às terças-feiras.
Também no Consulado Argentino, sendo
ministradas por Alejandra González, antes com Norberto Esbrez e atualmente com Marcelo Pareja. Paulo e Ângela, não apenas através das práticas, como também pelas suas
aulas e viagens em grupo a Buenos Aires com os alunos (numa das quais tivemos a oportunidade de ir
junto com eles), além de seus shows
belíssimos, têm sido dos mais importantes colaboradores para o crescimento e o desenvolvimento do tango no Rio de
Janeiro. Paulo nos fala de seu
sentimento em relação ao tango, sentimento esse que ele demonstra como
poucos ao dançar e interpretar o tango. “Paulo associa o tango a própria essência da vida”. Jaime Arôxa
reconhece com simplicidade que começou no tango pelo final,
isto é, em geral todos começam do salão para o show e Jaime ao contrário, era
adepto do tango show tendo começado
a aprender tango com Leni. Apenas recentemente, segundo ele,
atingiu a maturidade no tango de
salão. Seus discípulos da
Companhia de Dança, afirma Jaime,
estão dançando com postura elegante e muita musicalidade, o tango de salão e estão muito bem
preparados em coreografias de tango
show, com qualidade excepcional, que os leva a disputar nos próximos meses,
um Campeonato de Tango, na Argentina e o
Mundial de Tango na França, como festividade paralela à Copa do Mundo de
Futebol. Têm sido muitos os eventos de tango ultimamente, que têm
contribuído para o desenvolvimento do movimento do tango, no Rio de Janeiro.
Podemos citar: Casa de Espanha, Circo
Voador, Teatro João Caetano, Caminito - Casa de Tango de Moreira e
Paloma (inaugurada em 12/04/1996), Lugar Comum, Clube da Aeronáutica, Teatro Municipal,
Planeta Tango, entre outros. Américo Del Rio e Raquell Mellman, vêm dando grande
contribuição ao movimento do tango no Rio, com a edição mensal, do Boletim Rio
Tango, criado, em outubro de
1996. Em torno desse movimento, sempre ocorreram eventos marcantes
de grande sucesso para o tango, como o primeiro Gran Salon de Tango realizado em
1996, no Clube da Aeronáutica e o segundo em 1997 no Teatro Municipal promovidos
por Eric/Jeusa, com a grande colaboração de : Dirce, Jaci e Sergio Maciel. Em 12/11/97, Ney e Léa fizeram uma apresentação de tango, no Teatro dos Grandes Atores,
na Barra da Tijuca, pela Companhia de Dança, da Academia Ancestrais Gaia,
Academia essa, onde ambos ministravam aulas de tango e dança de
salão. Muitas festas, com bailes de tango, têm sido promovidas ao
longo desses anos por praticantes de tango, tais como: Aparecida Belotti; Moreira e Paloma; Léa e
Ney; Lourdes; Cláudio e Sônia; Marlene e Percy; Valdeci; Thaís, Paulo Araújo; Eric e Jeusa, além de
outras. Em reportagem publicada no jornal Dança e Saúde de Setembro
de 1997, Ney Homero, discorreu sobre o estágio em que se encontrava o processo
de criação de uma Associação de Tangueiros, no Rio de Janeiro, Sociedade sem
fins lucrativos, visando fortalecer e desenvolver a prática e a cultura do
tango. A idéia da criação
dessa Associação, surgiu numa festa de tango na Casa de Lourdes, em São Conrado,
em 28/06/1997, num movimento liderado por Ney, que logo contou com muitos
adeptos, tendo sido feitas algumas reuniões e discussões, inclusive com debates,
no 2º Encontro Internacional de Dança de Salão, organizado e patrocinado por
Jaime Arôxa, realizado no Hotel Glória, no Rio de
Janeiro, em julho/agosto de 1997. A associação chegou a ter o seu estatuto
rascunhado, porém, por circunstâncias, não foi fundada ainda, embora os ideais
de sua criação permaneçam vivos. O mestre Valdeci
de Souza, manteve por vários meses a sua Milonga funcionando às quintas-feiras
em Botafogo, na Cantina Calabresa e com o apoio de Aparecida Belotti, promoveu vários
eventos em sua Academia, em
Copacabana, bem como, na própria casa de Aparecida. Gerson e Lucídio, organizaram uma prática de tango, no Fluminense, por vários
meses. Ney, Léa e Ricardo, organizaram bailes de tango na Boite Press, na Barra da Tijuca e no Clube Dezessete, aos domingos por
quase todo o ano de 1997. Norberto manteve por cerca de um ano na Academia de Jaime Arôxa um
bailinho de tango quinzenalmente, o qual tem a frente hoje, o casal Guilherme Pimentel e Renata
Ferreira. Inácio Carvalho, na Academia Maria
Antonietta,
manteve por vários meses, com o apoio de Paulo Araújo, um baile de tango
mensalmente no último sábado de cada mês. E para dar uma idéia de alguns nomes dos mais antigos alunos
de tango, da Época pré-Eliteana,
muitos dos quais mestres de hoje os citaremos a seguir, pedindo desculpas de
antemão por qualquer esquecimento, o que iremos reparar na próximas
oportunidades fazendo justiça, bastando para tanto nos procurarem. São eles: Eden, Gerson, Marcinha, Yuri, Dorinha,
Armandinho, Bia, Bianca, Patrícia, Karina, Fernando, Marcelo, Kátia, Isnard,
Liana, Léo, Celso, Érico e Raquel, Adílio, Daniela Escudero e Rogério Mendonça,
Rubens Feijão, Rafaela e Marquinhos, Inácio e Cláudia, Jussara, Berenice, Dirce, Grayce e Camerino,
Luiza, José Dib, Nilce, Sérgio, Sônia e Cláudio, Lourdes, Ney e Léa, Rubens,
Neide Aparecida e Almir, Manolo e Ana, Paulo e Ângela, entre outros, muitos dos
quais em atividade até os dias de hoje, na prática do tango. Dá para se notar, que o tango já é um movimento tão forte,
que muito há para se contar e não dá vontade de parar de falar. Mas vamos deixar
para as próximas oportunidades e por hora vamos ficando por aqui com as nossas
milongas. ****** SEGUNDA PARTE
Época da Afirmação e da
Consolidação
De Julho de 1998 a Dezembro de 1999, final do século XX. Caracteriza-se pelo grande número de eventos de tango; pela
modernização da comunicação, através da mídia eletrônica, via Internet, na home page da AGENDA DA DANÇA DE SALÃO
BRASILEIRA, criada e mantida por Marco Antônio Lemos Perna,
principalmente pelas listas de discussão dessa Agenda que são: A lista da dança
de salão e a lista do tango. Também pela home
page TANGO BRASIL, criada e mantida por Alex e Flávia
Valente, bem como pelo Boletim
RIO TANGO, criado e mantido por Américo Del
Rio e Raquel Mellman e pela REVISTA PLANETA TANGO,
editada pelo CLUBE DO TANGO DO BRASIL, idealizado e fundado por Don
Jorge Paulo, com sede na Lapa, Rio de Janeiro. Inauguração em 08/08/1998, do
BAR TEMÁTICO DE TANGO de Ney e Léa, na cobertura de sua residência, na Barra da Tijuca, com um
baile de tango, shows e apresentações de dança, com a presença de ilustres
milongueiros dentre os quais, a grande mestra argentina de
tango,
Graciela González acompanhada de Paulo Araújo. Fundado em 03/04/1999 o
ESPAÇO CULTURAL CAFÉ XANGÔ, por
Paulo Araújo com a criação e manutenção de um baile de tango semanalmente às sextas
feiras, no local, que já se tornou tradicional. O grande destaque desse final de época foi o grande baile
realizado em 03 de abril de 1999, no Clube Militar no Rio de Janeiro com
duas Orquestras Típicas: A famosa Orquestra Típica de Tango argentina, de
Jorge Dragone, e a famosa Orquestra
Típica de Samba brasileira, a Orquestra Cuba Libre, promovido por Eric
Mueller e Jeusa Vasconcellos, com os apoios de Jaci Franco, Dirce Cunha, Americo
Del Rio, Percy Rodrigues, Sr. Consul General Adjunto da República Argentina no
Rio de Janeiro - Dr. Luis Eugenio Bellando e do Coronel José Pinto Cabral,
com a colaboração de Paulo
Araújo, Blas Rivera, Maria Luiza Di Giorgio, Aparecida Belloti, Raquel Mellmann,
Sergio Maciel, Egídio Bento, Marcio Carreiro e outros. Realização de bailes mensais por Aparecida Belotti,
em seu espaço de tango em sua residência, evento que se tornou uma nova tradição
no movimento do tango do Rio de Janeiro. Realização do 1.º concurso de Tango Amador patrocinado pelo
Consulado Argentino,
com o apoio das Aerolíneas Argentinas no mês de junho de 1999, no
Shopping Barra Garden, sob a organização de Marcelo Pareja e
Alejandra Gonzáles.
Realização da festa de aniversário de Léa
na Barra da Tijuca, no Clube Paladar, no Shopping Downtown em 08/08/1999, com belíssimos shows de tango e chorinho,
apresentados por Valdeci e Cristina, Egídio e Neuza e Rogério Mendonça e
Daniela Escudero. A proliferação de um grande número de bailes, se tornou tradicional,
como: o de Aparecida Belotti –
mensal; o de Guilherme e Renata, na Academia Jaime
Arôxa
–
quinzenal; o de Egídio e Neusa na Academia do
Egídio – quinzenal; o de Bob Cunha e Aurya, na Academia do
Bob
– mensal; os de Márcio Carreiro, na Academia Moragas (encerrado); na Academia do Jimmy e recentemente, no Beco da
Bohemia –
mensal e quinzenal; o do Planeta Tango
de Jorge Paulo,
todos os domingos; os da Casa de Cultura
Lugar
Comum, de Samuel, Rita e Lourdes, por Paulo Araújo
– todas as segundas feiras e no último domingo de cada mês; os de
Ângela Cepeda, no
Hotel Atlântico Pálace, em Copacabana,
na
Prelude e no Antonino’s da Lagoa (os dois últimos, já encerrados), semanais; o de Marlene, no VILLAGE/Barra (encerrado); além de outros, não tão regulares, mas que ocorreram
eventualmente, promovidos por Gerson e, tradicionalmente, na casa de Lourdes;
na casa Inácia; na casa de Thaís; no
Caminito de Moreira e Paloma, no Centro da Cidade e também em sua casa de Petrópolis
e, no BAR TEMÁTICO DE TANGO de Ney Homero e Léa,
entre outros. Realização de diversos workshops de tango com mestres argentinos famosos
tais como Osvaldo Zotto e Lorena Hermocida e
Alejandro Sanguinetti e Karin Solana, após o grande baile promovido por
Cláudia Castañon, no Clube dos Democráticos, em meados de 1999.
Ocorreram ainda, vários eventos especiais de tango em datas
comemorativas, como o aniversário
de Valdeci de Souza
no Clube Sírio e Libanês;
aniversário de Aparecida Belotti
em seu famoso espaço de dança de sua residência,
além de outros, como o baile anual de tango que foi
realizado no Leme Tênis Clube, promovido por Paulo Araújo, baile
esse, já tradicional, realizado em anos anteriores, na Casa da Suíça, no Catete
e, no Clube Marimbás, em Copacabana. Realização
em 08/12/1999, do grande baile de aniversário de Sérgio Maciel com sua parceira Patrícia Aguiar,
no Restaurante/Boite, Maxims,
com dois shows maravilhosos, um de samba com
Sheila e Chocolate
e outro de tango com Miguel Zotto e Soledad Rivero. No transcurso dessa época, tivemos o falecimento de dois
grandes e tradicionais tangueiros, assíduos
freqüentadores de bailes, o Ézio e o
Constantino. Todo esse leque de eventos e muitos outros, vêm contribuindo
em muito, para a consolidação do movimento do tango no Rio de Janeiro, tornando
possível dançar tango, todas as noites, na cidade e, nos mais diversos bairros
do Rio. ****** TERCEIRA PARTE Época Moderna Tem início em janeiro do ano 2000 – Começo do Século XXI. Caracterizada pelo crescente número de novos locais para se
bailar o tango. Época de constante desenvolvimento do já consolidado movimento
do tango e do crescente número de novos adeptos. Realizado em 08/01/2000, O 1.º Encontro Nacional de
Professores de Dança de Salão, de diversos estados do Brasil, no Bar
Temático de Tango de Ney/Léa com o apoio da lista de discussão da Agenda
da Dança de Salão, por Marco Perna. Nesse encontro, além do tango o tema
central foi o zouk/lambada. Fundação do INSTITUTO BRASILEIRO DO
TANGO, com o baile de lançamento em 20/01/2000,
realizado no Leme Tênis Clube, sendo Percy Soares, o seu fundador. Esse período se inicia com o falecimento da tangueira,
Léa Rocha, em 28/01/2000, e com a criação de uma música em sua
homenagem, numa parceria de Ney Homero Rocha e Ubirajara Silva, intitulada,
Milonga da Estrela Tuca, a qual foi lançada oficialmente, com
sucesso, no Lugar Comum em 30/04/2000, tendo sido prontamente incorporada
ao repertório musical dos bailes de tango do Rio de Janeiro, na ocasião. Prosseguem os bailes comemorativos, com destaque para: Aparecida Belotti, Café Xangô,
Moreira/Paloma, reabrindo o Caminito, Paulo Araújo, no Clube Dezessete,
Márcio Carreiro, de volta a Boite 3º Milênio (além de seus bailes regulares
de tango: quinzenais, no Beco da Bohemia e mensais na Academia do
Jimmy) e Valdeci, com o seu grande baile de aniversário, no Clube
Sírio e Libanês. Apresentação no mês de fevereiro de 2000, em todos os finais
de semana, do excelente show
teatral, denominado "Bandoneon e
Bolero", no Teatro Cacilda
Becker, pela Companhia de Dança, de
João Carlos Ramos, o qual foi o
responsável também, pelo roteiro e pela direção do show, que alcançou grande
sucesso e repercussão na mídia. Apresentação, também no mês de Fevereiro de 2000, em várias
oportunidades, no Teatro do SESC - Tijuca, da peça intitulada. "O Homem, a Mulher e a Música" - Roteiro e Direção, de Jaime Arôxa, com grande elenco, da Companhia de Dança de
Jaime Arôxa,
professores e alunos. Nesse excelente show teatral, a ênfase maior dada por Jaime, foi para o tango e a peça, de agrado geral e muito
sucesso, foi reapresentada, no SESC de
Nova Iguaçu, bem como nos
Teatros Cacilda Becker, e Carlos Gomes nos meses de maio e julho,
com programação para outubro, no SESC de
São Gonçalo e novembro no SESC de
São João de Meriti. O ponto alto desse início de época ficou por conta da
vitoriosa e consagradora tourné pela Europa (Noruega, Espanha e França), no mês
de abril do ano 2000, do Maestro de Tango, o talentoso Blas Rivera,
acompanhado pelo casal Paulo Araújo e Laure, fazendo exibições e
ministrando aulas de tango. Nessa mesma ocasião, a dançarina de tango e Prof.
Neuza Abbes, foi a Paris, a convite, para ministrar aulas de
samba. Lançamento no dia 3 de maio de 2000, na sede do Consulado Argentino, do livro intitulado: "Tango Uma Possibilidade Infinita", de autoria de Hélio de Almeida Fernandes,
como resultado de um profundo trabalho de pesquisas e
estudos, ao longo de 10 anos, no qual o autor disponibiliza, com riqueza de
detalhes, em português, a história evolutiva do tango
argentino. Novos espaços de bailes vão sendo inaugurados em meados do ano, tais como: o Nuevos Aires Tango, no "Far Up”, Cobal do Humaitá, aos cuidados de Ângela Cepeda, Javier/Patrícia Cruz e Alex/Flávia, mensalmente às terças feiras (segunda do mês), e na Estudantina Musical, o baile Transnochando, aos cuidados de Sérgio Maciel/Patrícia e Clara, todas às quartas feiras, mais tarde transferido para o Espaço Arpoador em Ipanema, também as quartas feiras, mais tarde indo para o Bar do Tom, no Leblon. Apresentação de Show
de Tango Instrumental e Dança, no
Teatro Municipal de Niterói em 05/08/2000, show esse, consagrado na Europa no mês
de março desse ano, contando com a participação, além de Blas Rivera, Diretor e apresentador, ao
saxofone, de Ana Oliveira no violino
e Carlos Janibelli ao piano, com o
casal Paulo Araújo e Laure
Quiquempois, na coreografia da dança. O show lotou o teatro completamente, e foi aplaudido de pé,
tendo sido inclusive, mostrado em parte, na semana seguinte, no programa Viva o Gordo de Jô Soares - na TV Globo,
ocasião em que Blas Rivera, foi entrevistado, por Jô Soares. Lançamento do livro de poesias
sobre tango, intitulado "Que Sé
Yo" de André Sampaio Carvalho,
no dia 19/08/2000, na Academia Maria
Antonietta, de Inácio Carvalho e Márcia, seguido de um coquetel e shows de
dança, por diversos dançarinos homenageados por André
Carvalho, em suas poesias, as quais denomina "Ecceidades no
Tango". Conclusão da pré edição do livro sobre o tango no Brasil, de
autoria de Ney Homero S. Rocha,
intitulado: "Tango Uma Paixão Porteña no Brasil", no qual o autor,
em depoimento histórico, retrata a evolução desse movimento, desde o Rio da Prata ao Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, onde o
movimento tem sido mais forte e, estendendo-se por todo o
país. O livro não é apenas um documento histórico, mas também uma história romântica, apaixonante e sentimental,
na qual o autor, em uma síntese de
sua própria autobiografia, retrata a sua história de paixões pelo tango, no
movimento vivo do tango que vem acontecendo no Brasil, bem como, retrata, todos
os principais personagens que estão vivendo e escrevendo essa história, no
Brasil, as contribuições que vêm dando ao movimento e, por fim, conclui com a
simbiose existente entre o tango e a vida, a vida e o
tango. O livro "Tango Uma
Paixão Porteña no Brasil", teve o
seu lançamento oficial em 07 de dezembro de 2000, na Casa de Cultura da
Universidade Estácio de Sá, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, num fino
evento concorrido e bem sucedido e na ocasião foi feito também, o relançamento da música intitulada "Milonga da Estrela Tuca" de autoria de Ney Homero Rocha e Ubirajara Silva, em
homenagem póstuma a Léa de Almeida
Rocha. Novas comitivas de aficionados pelo tango, do Rio de Janeiro, São Paulo e
de outros estados do país, já estão com viagens agendadas a Buenos Aires, em breve partirá o grupo de Paulo Araújo, do qual também estaremos
participando. Assim a historia se
repete e o movimento do tango, cada vez mais se fortalece em todo o País, verificando-se na ocorrência de vários eventos simultâneos, que o
crescimento do movimento do tango, no Rio de Janeiro e no Brasil é inequívoco, e
uma realidade nacional. ****** Participação
de Brasileiros em Shows, em Buenos Aires e no Rio de Janeiro. Em toda a época recente do desenvolvimento do tango no Rio
de Janeiro, têm sido inúmeras as visitas de brasileiros a Buenos Aires, tanto
para praticar e bailar o tango, nos mais diversos salões, quanto para tomar
aulas de tango em grupo e particulares, com os mais renomados professores, como
também, para assistir a shows de tango de gabarito internacional. Em muitas dessas ocasiões estive participando desses grupos
e pude assistir a apresentações de brasileiros, nos salões de bailes argentinos,
dançando tango, samba, chorinho, lambada com muita plástica e beleza, arrancando
aplausos efusivos da platéia. Lembro-me de ter assistido: Jaime Arôxa e
Patrícia, dando maravilhosos shows de tango, samba e lambada; Paulo
Araújo e Ângela Cepeda com belíssimos shows de tango; Valdeci de
Souza, com belíssimos shows de chorinho, Marcelo e Vanessa Galvão,
com belíssimos shows de samba de gafieira e, também em outras oportunidades os
belos shows de chorinho, apresentados por Valdeci de Sousa e Cristina
Ramos. Sem falar do brasileiro Júnior, mestre de tango,
radicado na Argentina, hoje considerado um dos maiores expoentes do tango a
nível mundial, o qual se apresenta
nos bailes de Buenos Aires, sempre de forma extraordinária, com as suas
parceiras, entre outras, desde a Sílvia, de origem Argentina, uma das
primeiras, passando por varias outras renomadas, ate o presente. Júnior
teve desempenho destacado no filme Tango, de Carlos Saura e
participou de uma tourné mundial, dançando com a Companhia de Júlio
Iglesias, em 1999. Léa e eu, também fizemos apresentações de tango em
Buenos Aires, em especial, em setembro de 1994 no Club Social Rivadavia, bem como nas ruas e na
praça de San Telmo, na famosa feira de artesanato e antiguidades, que se
realiza todos os domingos, nos apresentando ao público, com o famoso casal de
amigos, Pochi e Osvaldo. Desses eventos, guardo uma grande documentação fotográfica e
filmes. No Rio de Janeiro, além dos já citados expoentes da dança,
em particular do tango, que se apresentam com sucesso,alguns dos quais em Buenos
Aires, destacam-se os casais: Valdeci de Souza e Cristina Ramos; Egídio e
Neuza; Bob Cunha e Aurya Pires; Marcelo Martins e Vanessa Galvão; Márcio Carreiro e
Vanessa; Plínio e Elis; Javier Amaya e Patrícia Cruz; Alex e Flávia; Álvaro Reis
e Ângela Cepeda; Guilherme Pimentel e Renata Ferreira; Isnard e Liana/Mariana;
Rogério Mendonça e Daniela Escudero; Jaime Arôxa e Bianca Gonzáles; Paulo Araújo
e Laure; Eric e Jeusa, e outros. Atualmente, o intercâmbio do Mercosul cultural,
vem propiciando a vários brasileiros ministrarem aulas de samba
de gafieira, chorinho, lambada e música baiana em Buenos Aires, abrindo um
importante mercado, não apenas para os profissionais do Rio de Janeiro, como
também os de: São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis, Porto Alegre, Recife,
Fortaleza, Salvador, além de outras capitais e do interior de estados Brasileiros,
que estão tendo processo similar ao Rio de Janeiro, no desenvolvimento do tango,
seguindo caminhos semelhantes. Tudo o que esta sendo feito pelo movimento do tango e,
que por certo será feito muito
mais, tanto no Rio de Janeiro, como também, em todo o Brasil,
seja através de intercâmbios,
shows, peças teatrais, bailes, workshops, palestras, aulas, eventos comemorativos, eventos
culturais, criação de poesias,
composição de temas musicais, edição de livros, organização de associações
de tangueiros,
criação de home pages na Internet, programas
musicais de rádio e televisão e também, com o importante trabalho de
profissionais dedicados, com crianças e adolescentes, tais como, os
desenvolvidos com muito, amor, carinho, competência e, sobretudo, com muito
sacrifício, por Raquel Mesquita, Álvaro Reis, Bob Cunha e Áurya
Pires, além de outros, servirão, não apenas para solidificar cada
vez mais a cultura do tango no nosso país, mas também, para estreitar os laços
de amizade entre os povos, argentino e brasileiro. Procedimentos semelhantes, certamente irão ocorrer na
cultura brasileira, de nossa música, ritmos e dança, principalmente do chorinho e do samba de
gafieira, que são muito apreciados por nossos irmãos argentinos e, que
serão com toda a certeza, uma razão de semelhante intercâmbio cultural,
para o país amigo e vizinho, nos próximos anos. Não existem fronteiras, e nem barreiras que impeçam esse imenso e profundo, intercâmbio cultural, que ora, está ainda, apenas em processo de gestação, pois o amor e a paixão dos brasileiros pelo tango argentino e o gosto crescente dos argentinos pelas coisas do Brasil, superam até as rivalidades futebolísticas e todas as demais dificuldades, acontecendo tudo naturalmente, num processo histórico e transcendental. Rio, RJ, 17/11/2001. N.H.S.R. ****** Estágio do Movimento do Tango no Rio de Janeiro - 2004 / 2006 Este relato inicia-se no final do ano 2004 e tratou do início de um momento crítico, que passou a se evidenciar dentro do movimento do tango no Rio de Janeiro a partir daquela ocasião, quando as disputas pela liderança do movimento, a forte concorrência, o personalismo e o excesso de vaidades, por parte de alguns líderes e atores do movimento do tango, resultou numa cisão que o fez entrar em decadência. A partir de meados já do ano de 2005, aos poucos o movimento veio lentamente retomando a sua força de maneira constante e atualmente parece consolidar-se a cada dia, espalhado-se além das fronteiras cariocas, por todo o país. Referindo-se àquele momento, assim comentamos num editorial publicado neste site em dezembro de 2004: Participo do Movimento do Tango no Rio de Janeiro desde o seu surgimento há cerca de 16 anos, tanto como dançarino, colaborador, promotor, professor de tango (profissional sindicalizado), como autor do livro "Tango Uma Paixão Porteña no Brasil" e de uma composição musical, em parceria com o Maestro Ubirajara Silva, do Tango "Milonga da Estrela Tuca" e como criador do portal Bardetango, na Internet. Tenho vivenciado o desenvolvimento deste movimento através de uma participação ativa em toda a sua história, consignada na publicação que fiz em Jornais da Dança e na Internet na publicação da própria "História do Desenvolvimento do Movimento do Tango no Rio de Janeiro ". Embasado no profundo envolvimento com o tango, que tenho como um hobby e profissionalmente, com grande prazer, além da responsabilidade assumida de contar a história do tango no Rio de Janeiro, vejo-me nesta oportunidade motivado a atualizar de uma maneira geral, o estágio deste movimento dentro de sua evolução, considerando que os eventos se repetem, tornando-se necessário e suficiente, apenas registrar o caráter geral de seu estágio atual, uma vez que os detalhes já foram detalhadamente contados na publicação da história e os fatos praticamente se repetem, variando apenas os protagonistas e demais atores. Assim o fazemos nesta oportunidade segundo a nossa visão pessoal. Os Atores do Movimento do Tango Podemos denominar atores do movimento do tango no Rio de Janeiro, os participantes em geral, principais responsáveis, professores, promotores, incentivadores, personagens, colaboradores e auxiliares anônimos. Todos, são bastante conhecidos no meio, muitos estão devidamente identificados nas publicações citadas e nos links indicados acima, de modo que torna-se desnecessário nomeá-los novamente nesta crônica, bastando referir-nos aos mesmos de forma impessoal, simplesmente como atores no processo. Classificação dos Atores Podemos classificar os atores e colaboradores do movimento do tango no Rio em: participantes em geral, dançarinos e profissionais que vivem exclusivamente do tango ou, deste e da dança de salão ou, aqueles que por hobby, paixão ou, simplesmente por prazer, atuam voluntariamente e eventualmente como profissionais no movimento, auferindo rendimentos aleatórios que são via de regra, reinvestidos em seus próprios trabalhos voluntários de criação, produção, promoção e colaboração para o próprio movimento. Há também aqueles que colaboram com o movimento apenas por prazer ou, até por vaidade pessoal, o que também é válido, quando vem para somar (vaidade é muito comum no meio da dança de salão em geral, inclusive e principalmente no meio do tango). O Movimento Tanguero Carioca Falar do movimento do tango no Rio de Janeiro, é falar de seus atores: organizadores, incentivadores, colaboradores e principalmente dos participantes anônimos que simplesmente freqüentam os eventos com assiduidade - bailes, festas e acontecimentos de tango que são promovidos na cidade, dando-lhes o corpo necessário, sem o que o movimento não existiria. A Contribuição dos Atores para o Movimento Tanguero Os atores, cada qual em sua atividade, estão sempre trabalhando em prol do movimento do tango, ministrando classes, oficinas, realizando milongas (bailes de tango), promovendo eventos de tango, inclusive de níveis internacionais, fazendo apresentações, proferindo palestras, gravando vídeos, editando livros, participando de filmes e peças teatrais, publicando boletins informativos, construindo e disponibilizando sites na Internet, fazendo deles fonte de consulta de informações culturais e divulgações de eventos de tango, alguns atores, inclusive, atuam profissionalmente no exterior e elevam o nome do País, engrandecendo o movimento do tango. E, os atores anônimos que atuam nos bastidores, além dos atores principais - os dançarinos, que participam assiduamente do movimento. A Reciprocidade do Movimento do Tango aos Atores Os atores, que emprestam sua contribuição para o movimento do tango, devem ser sempre apoiados e incentivados, de forma recíproca pelo próprio movimento em contrapartida às suas iniciativas voluntárias, independentemente de se tratar ou não de profissionais ou, simplesmente colaboradores voluntários, pois assim sendo o movimento tende a se realimentar constantemente e se fortalecer, enquanto que ao contrário, como muitas vezes se observa, ocorre o surgimento de discriminações, dissidências, rivalidades e conseqüentemente, o enfraquecimento do movimento. A Evolução do Movimento do Tango e a Realidade Atual O movimento do tango, ao longo destes anos, cresceu, atingiu seu apogeu e a época de maior glamour em sua trajetória de evolução. Passou da fase inicial de apenas classes e bailes com apresentações de bailarinos, para uma série de eventos importantes do ponto de vista cultural para a cultura do tango em toda sua plenitude, desde a música, história, personagens: professores, artistas, poetas, escritores, cantores, músicos e bailarinos, em sua grande maioria profissionais, mas, também amadores e profissionais eventuais, que em certos casos, investem consideráveis somas de dinheiro no movimento do tango, além de seu trabalho voluntário apenas por prazer, paixão ou seja como hobby, mas, contribuindo grandemente para o fortalecimento do movimento tanguista carioca. O movimento do tango na atualidade, apesar de todo o esforço de seus atores, ainda não conseguiu aproveitar convenientemente os acontecimentos de modo a reverter plenamente o resultado dos eventos em prol de seu próprio crescimento. Isto ocorre em razão da falta do apoio recíproco aos atores colaboradores espontâneos de uma maneira em geral, pois somente alguns dentro do movimento do tango, gozam do privilégio e da primazia de contarem com apoio irrestrito do próprio movimento. Enquanto que outros atores voluntários não menos importantes, são relegados a um plano secundário, deixando de receber a correspondente contrapartida em forma de reciprocidade do movimento do tango, para suas iniciativas igualmente importantes em prol do próprio movimento. Acontecimentos como esses vêm provocando dissidências e o surgimento de grupos que se rivalizam, concorrem entre si e, em certos casos, utilizando-se até de meios antiéticos. Este fato vêm causado um certo desencanto, a ponto de alguns atores abandonarem a própria vivência do movimento do tango, e, por conseguinte, o movimento do tango no Rio de Janeiro vem perdendo uma boa parte de seus atores da velha guarda - desde a época dos primórdios - quando tudo começou. Em decorrência, o movimento do tango vem se apresentando em fase de decadência na atualidade. A existência de pequenos grupos dentro do movimento é natural como em qualquer atividade, mas estes grupos não devem colocar seus interesses e vaidades acima da ética, na disputa pela liderança do movimento do tango, com uns apostando no insucesso de outros considerados concorrentes e as vezes até boicotando uns aos outros no sentido de contribuir para este insucesso. Esta é a principal questão ética a que me refiro, e assim procedendo, contribuem de maneira negativa, e pesadamente para a decadência do próprio movimento. As Novas Milongas Novas milongas vão surgindo e outras vão deixando de existir como vem ocorrendo e o movimento do tango ainda assim permanece sobrevivendo mesmo sem um crescimento significativo. Todavia o movimento só crescerá de fato, quando forem resgatados os valores éticos - respeito mútuo e apoio recíproco, com incentivo inequívoco a colaboração franca de toda e qualquer iniciativa voluntária a quem quer que seja, em prol do movimento do tango. A Retomada do Crescimento Quando se pretende corrigir e retomar o rumo das coisas, não se pode omitir, deve-se encarar a realidade e tratar de reparar as distorções, para reverter o processo de dissidência no meio do tango, de modo que cada ator possa voltar-se para o movimento e vice versa, sem distinções. Somente o resgate da união dentro do movimento do tango no Rio de Janeiro, será capaz de evitar que o mesmo permaneça estagnado ou se torne ainda mais decadente do que se apresenta no momento. Ao contrário, a união e o respeito mútuo farão com que o movimento se revigore e se desenvolva ainda muito mais. Rio, RJ, 20/12/2004. N.H.S.R. ****** Depois daquela fase crítica percebeu-se uma nova tendência de retomada dos melhores momentos do movimento do tango e assim decidimos ampliar e atualizar esta narrativa como se segue ****** Novos Tempos do Tango no Rio de Janeiro O movimento do tango no Rio de Janeiro, depois de vivenciar um longo período de crise, conforme relatado no texto acima, parece estar passando por um novo e promissor momento de recuperação de sua força mostrando sinais de retomada do crescimento, com o surgimento de novos personagens que despontam como atores e realizadores de eventos através de um trabalho dedicado e profissional. Novos bailes vem surgindo ultimamente, assim como eventos, revelando novos promotores, que concorrem de maneira saudável e positiva com os já tradicionais. O destaque da temporada até agora, foi o recente grande baile de tango realizado por Neuza Abbes e Marcos Cayres, na tradicional Confeitaria Colombo, no dia 4 de junho de 2005. O evento fez lembrar os tradicionais grandes salões de Buenos Aires, tais como a Confiteria Ideal e o famoso Café Tortoni. O baile despertou o velho glamour do tango no Rio de Janeiro, trouxe uma grande participação de tangueros de outros estados, como São Paulo e Minas Gerais, representados por participantes da Capital Paulista, de Belo Horizonte e Juiz de Fora, além dos cariocas que compareceram em massa. Abrilhantou também a festa a presença do Cônsul Geral da República Argentina Sr. Agustín Molina Arambarri, que ficou encantado. Estiveram presentes ainda, profissionais de imprensa e de sites da Internet, dedicados a dança de salão e o tango, além da comunidade tanguera do Rio de Janeiro através de profissionais, organizadores promotores e dançarinos de tango. Os shows de tango de Marquinhos Cayres (um dos precursores do movimento do tango no Rio de Janeiro) e Neuza Abbes, assim como do casal paulista Nelson e Márcia foram muito bonitos e muito aplaudidos. Esperamos que de fato o movimento do tango no Rio de Janeiro, assim o de S. Paulo e de todo o Brasil, esteja entrando em uma nova fase de crescimento e desenvolvimento, desta feita mais consistente e renovado em seus novos valores e novos atores. Que viva el tango! Rio, RJ, 05/05/2005. N.H.S.R. ****** Rio Tango Festival Surge mais um importante evento para retomada do movimento tanguero no Rio de Janeiro, a excelente iniciativa conjunta, do Boletim Rio Tango e da Milonga La Nacional de Buenos Aires, com a realização do I Rio Tango Festival de 1 a 8 de outubro de 2005, um evento internacional com o objetivo de promover a confraternização dos povos através da cultura do Tango, conta com um leque de atividades, envolvendo bailes, shows, workshops de tango, milonga e vals e de ritmos brasileiros - samba, choro, lambada, MPB e forró, Cine Carlos Gardel, sarau literário, palestras, debates e teatro.
Trata-se de mais uma iniciativa de um dos lideres mais motivados e grande incentivador do movimento do Tango no Rio de Janeiro, com apoio do Consulado General da República Argentina do Rio de Janeiro, através do Instituto Cultural Brasil-Argentina, com a participação de outros importantes atores do movimento, realizadores de eventos de tango.
Americo Del Rio, que recentemente lançou seus livros: Tango Poesia e Tango Fotografia, realizou os concursos: Tango - Poesia e Tango- Fotografia, e vem realizando eventos do Circuito de Tango Integral - bailes públicos desde as ruas, até aos salões de academias, com o apoio de diversos lideres do movimento tanguero do Rio de Janeiro, vem se empenhando na organização e realização de mais este grande evento de tango de repercussão internacional, marcando definitivamente um novo momento positivo e bastante importante para a retomada do crescimento do movimento.
Esta é uma grande iniciativa que vem com o objetivo de marcar a retomada do interesse, o resgate do companheirismo e o reconhecimento da participação dos atores do movimento do tango no Rio de Janeiro, capaz de alavancar a entrada num novo período favorável de eventos de sucessos em prol do movimento, estando de parabéns o Americo e todos os colaboradores por mais esta importante realização.
Rio, RJ, 22/07/2005.
N.H.S.R.
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O texto original desta história foi editado e publicado em Julho de 1998, e vem sendo revisto e atualizado desde então primeiramente com o lançamento do livro Tango Uma Paixão Porteña no Brasil em 07/12/2000. A partir desta data esta história vem sendo complementada e atualizada neste site. Rio de Janeiro, RJ, Brasil 08/12/2006 © Ney Homero S. Rocha |
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