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História do Desenvolvimento do Movimento do Tango no Rio de Janeiro

Autor: Ney Homero da Silva Rocha

© Registrado no MINC - Fundação Biblioteca Nacional - em 09/06/2000 sob o n.º 202.466 - Livro 350 - Fls. 126

Introdução

A primeira parte da história do desenvolvimento do movimento do tango no Rio de Janeiro, foi publicada por este autor no Jornal Dance News, em Julho de 1988 na Coluna Los Milongueiros, para atender a solicitação da direção do Jornal, que pretendia divulgá-la naquela ocasião em que se comemorava os seis anos de realização do primeiro baile oficial de tango, em local público no Rio de Janeiro. O baile La Milonga no Elite Clube, que marcou a época do glamour do movimento do tango. 

A historia foi contada com o título: O Tango do Show ao Salão.

A partir do lançamento do livro Tango Uma Paixão Porteña no Brasil também deste autor, em dezembro de 2000, esta história foi atualizada no capítulo IV do livro e mais tarde, desde novembro de 2001, passou a ser atualizada também neste site Bardetango.

As novas atualizações, destacam os fatos relevantes que contribuem para consolidação do movimento do tango no Rio de Janeiro, sem a preocupação com a repetição de detalhes rotineiros inerentes ao próprio movimento do tango, relatados anteriormente que vão se reciclando, mudando apenas os protagonistas e os personagens.

A história original divulgada no livro e a seguir na Internet, compreende os três primeiros capítulos desta crônica e partir de então, vem sendo atualizada como continuação da terceira parte - a época do modernismo do movimento do tango no Rio de Janeiro.          

Primeira Parte 

Conforme o editorial do DN na citada coluna LOS MILONGUEIROS, esta parte começa por meados do século XX terminando em julho de 1998, e está compreendida pelas Épocas: 

     Época Pré-Eliteana, até 1992: quando predominava o Tango Show; 

     . Época Pós-Eliteana, de 1992 a 1998: quando se desenvolvia o Tango de Salão.  

Essa parte da  história foi contada retratando: "O TANGO DO SHOW AO SALÃO". 

Segunda Parte 

A Época da afirmação e da consolidação do movimento do tango de salão, no Rio de Janeiro, após julho de 1998 até dezembro de 1999, final do século XX: época de curta duração, mas de intenso crescimento do movimento do tango, caracterizada pelo grande número de bailes e eventos de tango apoiadas numa divulgação moderna, por meios eletrônicos e pela expansão da mídia, em torno desse movimento

Terceira Parte 

Época Moderna, início do século XXI: 

Caracterizada pelo movimento do tango já consolidado e pelo constante desenvolvimento da prática da dança, além do surgimento de uma grande variedade de locais para dançar e por um maior intercâmbio, através de cursos e workshops ministrados por mestres famosos de tango, de nível internacional e pelo crescente número de adeptos do tango.

 

PRIMEIRA PARTE 

Épocas: Pré-Eliteana e Pós-Eliteana 

Jornal Dance News - Julho de 1998 

LOS MILONGUEIROS

Por: Ney Homero da Silva Rocha 

O TANGO DO SHOW AO SALÃO 

Perto de completar no mês de abril próximo, seis anos da realização do primeiro baile oficial de tango na Cidade do Rio de Janeiro e, como parte das festividades de comemoração, com um baile/show, na Gafieira Elite, contaremos um pouco da estória do tango praticado antes dos anos 90 (Tango Show) e do tango pós 90 (Tango de Salão), o qual se desenvolveu mais fortemente a partir do primeiro baile de tango oficial da cidade, no Elite Clube em 1992  (Época Eliteana), e posteriormente até os dias de hoje, quando se conta com um grande número de adeptos, participantes apaixonados pelo Tango de Salão (Época Pós-Eliteana)

Para falar desse assunto tão empolgante, fomos gentilmente convidados pela Direção do Jornal Dance News, através de seu presidente Sr. Wanyr de Almeida, ao qual agradecemos, sentindo-nos honrados com a oportunidade. 

Não basta apenas estar participando por cerca de nove anos, ativamente do movimento e da evolução do tango no Rio de Janeiro para falar do assunto. Obviamente tivemos que procurar os personagens que foram e estão sendo os principais responsáveis pelo desbravamento e pelo desenvolvimento do tango no Rio e, com eles conversar, aprendendo um pouco mais da estória dessa evolução, para contá-la à comunidade de adeptos do tango, praticantes e não praticantes: 

Leni Fiori formou par com Trajano na década de 40, por cerca de oito anos, tendo se apresentado por toda América Latina, fazendo shows de tango, desde o Teatro Solis em Montevidéu (Uruguai), com a Orquestra Típica de Donato Racciatti

Depois, por mais quinze anos, em parceria Leni e Amauri fizeram também muitas apresentações de tango inclusive em Buenos Aires, dançando com a Orquestra Típica Mi Buenos Aires Querido, do Maestro Brandon, usando o pseudônimo de Los Porteñitos. 

Leni, com Trajano, bailarino e coreógrafo formado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e, também com Amauri, foram os primeiros professores de tango conhecidos, no Rio de Janeiro. 

Leni também formou parceria de tango por dois anos com o mestre Russo em 90/91. 

Leni conta que começou a dançar aos 10 anos, por influência de sua tia, Lena Garcia,  cantora de tangos do antigo Night and Day, em shows de Carlos Machado, que a ensinou a dançar o tango.

Leni Fiori tem verdadeira paixão pela dança de salão, em especial pelo tango, mas gosta muito de samba também. Conta que antes do tango, já era dançarina e fez muitos shows de samba. 

Leni critica na dança de salão atual, a má postura dos casais, os quais estão dançando tortos e critica também, a colocação no samba de gafieira, de passos do tango. 

Para ela o seu estilo de tango é o Criollo-Show e com emoção fala da criatividade e improvisação, que não se vê muito nos dias de hoje porque em sua opinião basta ver um casal dançando num baile para se ver a todos, pois dançam em geral todos iguais, tal como aprendem em academias, sem acrescentarem nada de si próprios em termos criativos, com raríssimas exceções. 

Leni conta que nos bailes de antigamente se dançava sempre uma rodada de tango por cerca de 15 minutos, cada um do seu jeito.  

Maria Antonietta Guaycurús de Souza que além de renomada mestra de dança de salão, é uma pessoa estudiosa que lê muito sobre o assunto, nos conta que nos anos 20 se dançava o tango de salão da época, em Belo Horizonte, na Faculdade de Medicina nos finais de semana. 

Segundo Antonietta, também em São Paulo, nessa mesma época, se dançava o tango de salão, enquanto que no Rio de Janeiro o tango da época, era o tango show, dançado por cerca de dois a três casais somente, em Dancings e Gafieiras

Maria Antonietta fala ainda, que nos anos 40 na Academia Morais, onde aprendeu a dançar e tornou-se praticante e professora, havia semanalmente sabatinas de tango, por cerca de 2 horas. Com orgulho fala de seu professor de tango, o mestre argentino, Roberto de Aquino nos anos 78/79. 

Antonietta também fez várias apresentações de tango show, no Brasil e na Argentina, com diversos parceiros e, faz questão de citar nomes importantes da época no Rio, tais como: Leni/Amauri/Trajano/Mário Jorge/Irani/Esquerdina/Jacira (Mudinha), entre outros e Jorge Paulo, mais recentemente. 

Jorge Paulo foi o idealizador e fundador, em 25/07/1997, do CLUBE DO TANGO DO BRASIL e do PLANETA TANGO, cuja sede social, foi oficialmente inaugurada em 05/03/1998, no Bairro da Lapa, Rio de Janeiro. 

Jorge Paulo nos fala de suas duas mais importantes parceiras de tango show, Ângela Loureiro e Marina Salomão. Fala com orgulho de suas participações em shows, em cinema, teatros e boites, com destaque para o filme, A Ópera do Malandro

Eric Mueller, conta que em 1987 ao chegar de Buenos Aires, fora apresentado ao mestre Jaime Arôxa, pelo mestre João Carlos Ramos, Diretor da Cia. Aérea de Dança, e que em meados de julho daquele ano ministrou um curso de tango por dois meses na Academia de Jaime Arôxa, ocasião em que conheceu Jeusa Vasconcellos, que de sua aluna, veio a se tornar parceira, até os dias de hoje. 

Eric e Jeusa, mestres de tango, ministraram aulas no Dance Studio no bairro do Catete por cerca de um ano 87/88. Depois passaram um ano fora do Brasil a ao retornarem ministraram por mais um ano um curso de tango também no bairro do Catete, no Casarão do mestre Oswaldo, em 89/90, onde surgiram as primeiras práticas de tango por cerca de um ano  

Jaime Arôxa, no início de 1990, começou um curso de tango em sua Academia em Botafogo, sendo um desbravador das Milongas e de grandes mestres de tango em Buenos Aires promovendo a ida das primeiras comitivas de brasileiros à Argentina, para aprender e desenvolver o tango, bem como a descoberta de bons mestres de tango, alguns dos quais vindo a seu convite, ensinar no Brasil, tais como: Mingo e Esther, Alejandra e Norberto, entre outros. Nessa ocasião, como seu aluno de dança de salão desde 1987 e de tango a partir do início do curso e durante três anos, tive a sorte de participar de duas memoráveis jornadas a Buenos Aires em 91 e 92, em grupos de cerca de 40 pessoas, entre alunos e professores, na companhia também de Inácio Carvalho, então sócio de Jaime Arôxa

Ainda final dos anos 90, na Academia do mestre Carlinhos de Jesus, Eric e Jeusa, também ministraram um curso de 3 meses de tango, bem como, na mesma época o fizeram no Forró Forrado, no bairro do Catete, sede da Cia. Aérea de Dança, de João Carlos Ramos, que junto a sua Companhia de Dança, fez vários shows de tango em teatros, no Circo Voador, onde também, se apresentaram Jaime e Patrícia, Eric e Jeusa, Paulo e Márcia, Carlos e Alícia, Maria Antonietta, com vários parceiros, entre outros, inclusive nós, como seus alunos  

Em 1990, Jaiminho, como é carinhosamente tratado, promoveu bailes de tango em sua Academia quinzenalmente durante um  ano e, nessa mesma época, sua assistente a Prof. Dorinha, promoveu diversas práticas de tango em sua casa, no bairro do Flamengo  

Em 1991 no Avatar em Botafogo, Eric e Jeusa ministraram um curso de tango por cerca de um ano, onde também faziam práticas e algumas festas de tango. Nessa ocasião comecei a fazer também, aulas de tango com eles desde o início do curso e continuando por cerca de 3 anos, em diversas outras ocasiões e novos locais  

Nesse mesmo ano de 1991, a dançarina Dirce, com a ajuda também, das dançarinas, Jaci e Luíza, promoveram no bairro do Humaitá, aos sábados, bailes mensais de tango, no salão de festas do prédio de Dirce, por cerca de um ano.

Em abril de 1992, Eric e Jeusa, inauguraram o 1º Baile Oficial de Tango, fora das Academias, isto é, num Clube aberto, no Rio de Janeiro. O Baile chamado La Milonga, contribuiu decisivamente para o desenvolvimento do tango de salão, a moda genuinamente portenha nos seus mais variados estilos, no Rio de Janeiro.  

No Elite Clube, o baile La Milonga, permaneceu por dois anos, também sob a direção de  Paulo Araújo, então colaborador de Eric e Jeusa, que assumiu a responsabilidade pela continuidade do baile, nos períodos de viagem de Eric e Jeusa a Europa e, instituiu uma  Prática de Tango, as segundas feiras, permanecendo o baile La Milonga, às quartas feiras. Pouco depois do retorno da Europa, de Eric e Jeusa o baile La Milonga, foi transferido para  o Clube Olímpico, em Copacabana, onde permaneceu  de 94 a 95 e, ainda em 1995, transferiu-se  para  o  Clube Gurilândia em  Botafogo, sob a  mesma organização de Eric e Jeusa, mas, contando também, com diversos outros colaboradores nas ocasiões de novas viagens do casal organizador. Foram eles: Odevaldo, Sergio Maciel, Marcinha, Luíza, Dirce, Jaci, Plínio, Elís e Gerson. 

O baile La Milonga, já está completando 6 anos de existência, caracterizando, assim, a Época Eliteana, na qual nota-se um grande desenvolvimento na forma de dançar o tango de salão e com um crescente número de adeptos. 

O Baile La Milonga, marcou a época, do período de maior romantismo do tango, no Rio de Janeiro, devido ao encantamento e o glamour que despertava. 

Em 1995, surge a prática de tango dos mestres Paulo Araújo e Ângela Cepeda, discípulos de Eric e Jeusa, no Lugar Comum em Botafogo, um local extraordinário que fora conseguido graças a uma iniciativa da dançarina Silvia Helena

As Práticas no Lugar Comum, às segundas-feiras, permaneceram desde então até hoje muito concorridas. 

Aulas e práticas de tango, ocorreram por vários meses, na Casa de Dança de Carlinhos de Jesus, promovidas por Eric e Jeusa e seus discípulos professores Plínio e Elis, no ano de 1995, semanalmente às terças-feiras. Também no Consulado Argentino, sendo ministradas  por Alejandra González, antes com Norberto Esbrez  e atualmente com Marcelo Pareja. 

Paulo e Ângela, não apenas através das práticas, como também pelas suas aulas e viagens em grupo a Buenos Aires com os alunos (numa das quais tivemos a oportunidade de ir junto com eles), além de seus shows belíssimos, têm sido dos mais importantes colaboradores para o crescimento e o desenvolvimento do tango no Rio de Janeiro

Paulo nos fala de seu sentimento em relação ao tango, sentimento esse que ele demonstra como poucos ao dançar e interpretar o tango.  

“Paulo associa o tango a própria essência da vida”

Jaime Arôxa reconhece com simplicidade que começou no tango pelo final, isto é, em geral todos começam do salão para o show e Jaime ao contrário, era adepto do tango show tendo começado a aprender tango com Leni.  Apenas recentemente, segundo ele, atingiu a maturidade no tango de salão. Seus discípulos da Companhia de Dança, afirma Jaime, estão dançando com postura elegante e muita musicalidade, o tango de salão e estão muito bem preparados em coreografias de tango show, com qualidade excepcional, que os leva a disputar nos próximos meses, um Campeonato de Tango, na Argentina e o Mundial de Tango na França, como festividade paralela à Copa do Mundo de Futebol. 

Têm sido muitos os eventos de tango ultimamente, que têm contribuído para o desenvolvimento do movimento do tango, no Rio de Janeiro. Podemos citar: Casa de Espanha, Circo Voador, Teatro João Caetano, Caminito - Casa de Tango de Moreira e Paloma (inaugurada em 12/04/1996), Lugar Comum, Clube da Aeronáutica, Teatro Municipal, Planeta Tango, entre outros. 

Américo Del Rio e Raquell Mellman, vêm dando grande contribuição ao movimento do tango no Rio, com a edição mensal, do Boletim Rio Tango, criado,  em outubro de 1996. 

Em torno desse movimento, sempre ocorreram eventos marcantes de grande sucesso para o tango, como o primeiro Gran Salon de Tango realizado em 1996, no Clube da Aeronáutica e o segundo em 1997 no Teatro Municipal promovidos por Eric/Jeusa, com a grande colaboração de : Dirce, Jaci e Sergio Maciel. 

Em 12/11/97, Ney e Léa fizeram uma apresentação  de tango, no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca, pela Companhia de Dança, da Academia Ancestrais Gaia, Academia essa, onde ambos ministravam aulas de tango e dança de salão. 

Muitas festas, com bailes de tango, têm sido promovidas ao longo desses anos por praticantes de tango, tais como: Aparecida Belotti; Moreira e Paloma; Léa e Ney; Lourdes; Cláudio e Sônia; Marlene e Percy; Valdeci; Thaís,  Paulo Araújo; Eric e Jeusa, além de outras. 

Em reportagem publicada no jornal Dança e Saúde de Setembro de 1997, Ney Homero, discorreu sobre o estágio em que se encontrava o processo de criação de uma Associação de Tangueiros, no Rio de Janeiro, Sociedade sem fins lucrativos, visando fortalecer e desenvolver a prática e a cultura do tango. 

A idéia da criação dessa Associação, surgiu numa festa de tango na Casa de Lourdes, em São Conrado, em 28/06/1997, num movimento liderado por Ney, que logo contou com muitos adeptos, tendo sido feitas algumas reuniões e discussões, inclusive com debates, no 2º Encontro Internacional de Dança de Salão, organizado e patrocinado por Jaime Arôxa, realizado no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, em julho/agosto de 1997. A associação chegou a ter o seu estatuto rascunhado, porém, por circunstâncias, não foi fundada ainda, embora os ideais de sua criação permaneçam vivos. 

O mestre Valdeci de Souza,  manteve por vários meses a sua Milonga funcionando às quintas-feiras em Botafogo, na Cantina Calabresa e com o apoio de Aparecida Belotti, promoveu vários eventos em sua Academia, em Copacabana, bem como, na própria casa de Aparecida. 

Gerson e Lucídio, organizaram uma prática de tango, no Fluminense, por vários meses

Ney, Léa e Ricardo, organizaram bailes de tango na Boite Press, na Barra da Tijuca e no Clube Dezessete, aos domingos por quase todo o ano de 1997. 

Norberto manteve por cerca de um ano na Academia de Jaime Arôxa um bailinho de tango quinzenalmente, o qual tem a frente hoje, o casal Guilherme Pimentel e Renata Ferreira

Inácio Carvalho, na Academia Maria Antonietta, manteve por vários meses, com o apoio de Paulo Araújo, um baile de tango mensalmente no último sábado de cada mês. 

E para dar uma idéia de alguns nomes dos mais antigos alunos de tango, da Época pré-Eliteana, muitos dos quais mestres de hoje os citaremos a seguir, pedindo desculpas de antemão por qualquer esquecimento, o que iremos reparar na próximas oportunidades fazendo justiça, bastando para tanto nos procurarem. São eles: Eden, Gerson, Marcinha, Yuri, Dorinha, Armandinho, Bia, Bianca, Patrícia, Karina, Fernando, Marcelo, Kátia, Isnard, Liana, Léo, Celso, Érico e Raquel, Adílio, Daniela Escudero e Rogério Mendonça, Rubens Feijão, Rafaela e Marquinhos, Inácio e Cláudia, Jussara, Berenice, Dirce, Grayce e Camerino, Luiza, José Dib, Nilce, Sérgio, Sônia e Cláudio, Lourdes, Ney e Léa, Rubens, Neide Aparecida e Almir, Manolo e Ana, Paulo e Ângela, entre outros, muitos dos quais em atividade até os dias de hoje, na prática do tango. 

Dá para se notar, que o tango já é um movimento tão forte, que muito há para se contar e não dá vontade de parar de falar. Mas vamos deixar para as próximas oportunidades e por hora vamos ficando por aqui com as nossas milongas. 

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SEGUNDA PARTE 

Época da Afirmação e da Consolidação

De Julho de 1998 a Dezembro de 1999, final do século XX.

Caracteriza-se pelo grande número de eventos de tango; pela modernização da comunicação, através da mídia eletrônica, via Internet, na home page da AGENDA DA DANÇA DE SALÃO BRASILEIRA, criada e mantida por Marco Antônio Lemos Perna, principalmente pelas listas de discussão dessa Agenda que são: A lista da dança de salão e a lista do tango. 

Também pela home page TANGO BRASIL, criada e mantida por Alex  e Flávia Valente, bem como pelo Boletim RIO TANGO, criado e mantido por Américo Del Rio e Raquel Mellman e pela REVISTA PLANETA TANGO, editada pelo CLUBE DO TANGO DO BRASIL, idealizado e fundado por Don Jorge Paulo, com sede na Lapa, Rio de Janeiro. 

Inauguração em 08/08/1998, do BAR TEMÁTICO DE TANGO de Ney e Léa, na cobertura de sua residência, na Barra da Tijuca, com um baile de tango, shows e apresentações de dança, com a presença de ilustres milongueiros dentre os quais, a grande mestra argentina de tango, Graciela González acompanhada de Paulo Araújo

Fundado em 03/04/1999 o ESPAÇO CULTURAL CAFÉ XANGÔ, por Paulo Araújo com a criação e manutenção de um baile de tango semanalmente às sextas feiras, no local, que já se tornou tradicional. 

O grande destaque desse final de época foi o grande baile realizado em 03 de abril de 1999, no Clube Militar no Rio de Janeiro com duas Orquestras Típicas: A famosa Orquestra Típica de Tango argentina, de Jorge Dragone, e a famosa Orquestra  Típica de Samba brasileira, a Orquestra Cuba Libre, promovido por Eric Mueller e Jeusa Vasconcellos, com os apoios de Jaci Franco, Dirce Cunha, Americo Del Rio, Percy Rodrigues, Sr. Consul General Adjunto da República Argentina no Rio de Janeiro - Dr. Luis Eugenio Bellando  e do Coronel José Pinto Cabral, com a colaboração de Paulo Araújo, Blas Rivera, Maria Luiza Di Giorgio, Aparecida Belloti, Raquel Mellmann, Sergio Maciel, Egídio Bento, Marcio Carreiro e outros

Realização de bailes mensais por Aparecida Belotti, em seu espaço de tango em sua residência, evento que se tornou uma nova tradição no movimento do tango do Rio de Janeiro.   

Realização do 1.º concurso de Tango Amador patrocinado pelo Consulado Argentino, com o apoio das Aerolíneas Argentinas no mês de junho de 1999, no Shopping Barra Garden, sob a organização de Marcelo Pareja e Alejandra Gonzáles.  

Realização da festa de aniversário de Léa na Barra da Tijuca, no Clube Paladar, no Shopping Downtown em 08/08/1999, com belíssimos shows de tango e chorinho, apresentados por Valdeci e Cristina, Egídio e Neuza e Rogério Mendonça e Daniela Escudero. 

A proliferação de um grande número de bailes, se tornou tradicional, como: o de Aparecida Belotti   mensal; o de Guilherme e Renata, na Academia Jaime Arôxa – quinzenal; o de Egídio e Neusa na Academia do Egídio  quinzenal; o de Bob Cunha e Aurya, na Academia do Bob – mensal; os de Márcio Carreiro, na Academia Moragas (encerrado); na Academia do Jimmy e recentemente, no Beco da Bohemia – mensal e quinzenal; o do Planeta Tango de Jorge Paulo, todos os domingos; os da Casa de Cultura Lugar Comum, de Samuel, Rita e Lourdes, por Paulo Araújo – todas as segundas feiras e no último domingo de cada mês; os de Ângela Cepeda, no Hotel Atlântico Pálace, em Copacabana, na Prelude e no Antonino’s da Lagoa (os dois últimos, já encerrados), semanais; o de Marlene, no VILLAGE/Barra (encerrado); além de outros, não tão regulares, mas que ocorreram eventualmente, promovidos por Gerson e, tradicionalmente, na casa de Lourdes; na casa Inácia; na casa de Thaís; no Caminito de Moreira e Paloma, no Centro da Cidade e também em sua casa de Petrópolis e, no BAR TEMÁTICO DE TANGO de Ney Homero e Léa, entre outros.  

Realização de diversos workshops de tango com mestres argentinos famosos tais como Osvaldo Zotto e Lorena Hermocida e Alejandro Sanguinetti e Karin Solana, após o grande baile promovido por Cláudia Castañon, no Clube dos Democráticos, em meados de 1999.  

Ocorreram ainda, vários eventos especiais de tango em datas comemorativas,  como o aniversário de Valdeci de Souza no Clube Sírio e Libanês; aniversário de Aparecida Belotti em seu  famoso  espaço de dança de sua residência, além de outros, como o baile anual de tango que foi realizado no Leme Tênis Clube, promovido por Paulo Araújo, baile esse, já tradicional, realizado em anos anteriores, na Casa da Suíça, no Catete e, no Clube Marimbás, em Copacabana. 

Realização em 08/12/1999, do grande baile de aniversário de Sérgio Maciel com sua parceira Patrícia Aguiar, no Restaurante/Boite, Maxims, com dois shows maravilhosos, um de samba com Sheila e Chocolate e outro de tango com Miguel Zotto e Soledad Rivero. 

No transcurso dessa época, tivemos o falecimento de dois grandes e tradicionais tangueiros, assíduos freqüentadores de bailes, o Ézio e o Constantino. 

Todo esse leque de eventos e muitos outros, vêm contribuindo em muito, para a consolidação do movimento do tango no Rio de Janeiro, tornando possível dançar tango, todas as noites, na cidade e, nos mais diversos bairros do Rio. 

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TERCEIRA PARTE 

Época Moderna 

Tem início em janeiro do ano 2000 – Começo do Século XXI.

Caracterizada pelo crescente número de novos locais para se bailar o tango. Época de constante desenvolvimento do já consolidado movimento do tango e do crescente número de novos adeptos.  

Realizado em 08/01/2000, O 1.º Encontro Nacional de Professores de Dança de Salão, de diversos estados do Brasil, no Bar Temático de Tango de Ney/Léa com o apoio da lista de discussão da Agenda da Dança de Salão, por Marco Perna. Nesse encontro, além do tango o tema central foi o zouk/lambada. 

Fundação do INSTITUTO BRASILEIRO DO TANGO, com o baile de lançamento em 20/01/2000, realizado no Leme Tênis Clube, sendo Percy Soares, o seu fundador. 

Esse período se inicia com o falecimento da tangueira, Léa Rocha, em 28/01/2000, e com a criação de uma música em sua homenagem, numa parceria de Ney Homero Rocha e Ubirajara Silva, intitulada, Milonga da Estrela Tuca, a qual foi lançada oficialmente, com sucesso, no Lugar Comum em 30/04/2000, tendo sido prontamente incorporada ao repertório musical dos bailes de tango do Rio de Janeiro, na ocasião. 

Prosseguem os bailes comemorativos, com destaque para:  Aparecida Belotti, Café Xangô, Moreira/Paloma, reabrindo o Caminito, Paulo Araújo, no Clube Dezessete, Márcio Carreiro, de volta a Boite 3º Milênio (além de seus bailes regulares de tango: quinzenais, no Beco da Bohemia e mensais na Academia do Jimmy) e Valdeci, com o seu grande baile de aniversário, no Clube Sírio e Libanês

Apresentação no mês de fevereiro de 2000, em todos os finais de semana, do excelente show teatral, denominado "Bandoneon e Bolero", no Teatro Cacilda Becker, pela Companhia de Dança, de João Carlos Ramos, o qual foi o responsável também, pelo roteiro e pela direção do show, que alcançou grande sucesso e repercussão na mídia.  

Apresentação, também no mês de Fevereiro de 2000, em várias oportunidades, no Teatro do SESC - Tijuca, da peça intitulada. "O Homem, a Mulher e a Música" - Roteiro e Direção, de Jaime Arôxa, com grande elenco, da Companhia de Dança de Jaime Arôxa, professores e alunos. Nesse excelente show teatral, a ênfase maior dada por Jaime, foi para o tango e a peça, de agrado geral e muito sucesso, foi reapresentada, no SESC de Nova Iguaçu, bem como nos Teatros Cacilda Becker, e Carlos Gomes nos meses de maio e julho, com programação para outubro, no SESC de São Gonçalo e novembro no SESC de São João de Meriti. 

O ponto alto desse início de época ficou por conta da vitoriosa e consagradora tourné pela Europa (Noruega, Espanha e França), no mês de abril do ano 2000, do Maestro de Tango, o talentoso Blas Rivera, acompanhado pelo casal Paulo Araújo e Laure, fazendo exibições e ministrando aulas de tango. Nessa mesma ocasião, a dançarina de tango e Prof. Neuza Abbes, foi a Paris, a convite, para ministrar aulas de samba. 

Lançamento no dia 3 de maio de 2000, na sede do Consulado Argentino, do livro intitulado: "Tango Uma Possibilidade Infinita", de autoria de Hélio de Almeida Fernandes, como resultado de um profundo trabalho de pesquisas e estudos, ao longo de 10 anos, no qual o autor disponibiliza, com riqueza de detalhes, em português, a história evolutiva do tango argentino. 

Novos espaços de bailes vão sendo inaugurados em meados do ano, tais como: o Nuevos Aires Tango, no "Far Up”, Cobal do Humaitá, aos cuidados de Ângela Cepeda, Javier/Patrícia Cruz e  Alex/Flávia, mensalmente às terças feiras (segunda do mês), e na Estudantina Musical, o baile Transnochando, aos cuidados de Sérgio Maciel/Patrícia e Clara, todas às quartas feiras, mais tarde transferido para o Espaço Arpoador em Ipanema, também as quartas feiras, mais tarde indo para o Bar do Tom, no Leblon.

Apresentação de Show de Tango Instrumental e Dança, no Teatro Municipal de Niterói em 05/08/2000, show esse, consagrado na Europa no mês de março desse ano, contando com a participação, além de Blas Rivera, Diretor e apresentador, ao saxofone, de Ana Oliveira no violino e Carlos Janibelli ao piano, com o casal Paulo Araújo e Laure Quiquempois, na coreografia da dança.  

O show lotou o teatro completamente, e foi aplaudido de pé, tendo sido inclusive, mostrado em parte, na semana seguinte, no programa Viva o Gordo de Jô Soares - na TV Globo, ocasião em que Blas Rivera, foi entrevistado, por Jô Soares. 

Lançamento do livro de poesias sobre tango, intitulado "Que Sé Yo" de André Sampaio Carvalho, no dia 19/08/2000, na Academia Maria Antonietta, de Inácio Carvalho e Márcia, seguido de um coquetel e shows de dança, por diversos dançarinos  homenageados  por André  Carvalho, em suas poesias, as quais denomina "Ecceidades no Tango". 

Conclusão da pré edição do livro sobre o tango no Brasil, de autoria de Ney Homero S. Rocha, intitulado: "Tango Uma Paixão Porteña no Brasil", no qual o autor, em depoimento histórico, retrata a evolução desse movimento, desde o Rio da Prata ao Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, onde o movimento tem sido mais forte e, estendendo-se por todo o país

O livro não é apenas um documento histórico, mas também uma história romântica, apaixonante e sentimental, na qual o autor, em uma síntese de sua própria autobiografia, retrata a sua história de paixões pelo tango, no movimento vivo do tango que vem acontecendo no Brasil, bem como, retrata, todos os principais personagens que estão vivendo e escrevendo essa história, no Brasil, as contribuições que vêm dando ao movimento e, por fim, conclui com a simbiose existente entre o tango e a vida, a vida e o tango. 

O livro "Tango Uma Paixão Porteña no Brasil", teve o seu lançamento oficial em 07 de dezembro de 2000, na Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, num fino evento concorrido e bem sucedido e na ocasião foi feito também, o relançamento da música intitulada "Milonga da Estrela Tuca" de autoria de Ney Homero Rocha e Ubirajara Silva, em homenagem póstuma a Léa de Almeida Rocha. 

Novas  comitivas de aficionados pelo tango, do Rio de Janeiro, São Paulo e de outros estados do país, já estão com viagens agendadas a Buenos Aires, em breve partirá o grupo de Paulo Araújo, do qual também estaremos participando. 

Assim a historia se repete e o movimento do tango, cada vez mais se fortalece em todo o País, verificando-se na ocorrência de vários eventos simultâneos, que o crescimento do movimento do tango, no Rio de Janeiro e no Brasil é inequívoco, e uma realidade nacional. 

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Participação de Brasileiros em Shows, em Buenos Aires e no Rio de Janeiro. 

Em toda a época recente do desenvolvimento do tango no Rio de Janeiro, têm sido inúmeras as visitas de brasileiros a Buenos Aires, tanto para praticar e bailar o tango, nos mais diversos salões, quanto para tomar aulas de tango em grupo e particulares, com os mais renomados professores, como também, para assistir a shows de tango de gabarito internacional. 

Em muitas dessas ocasiões estive participando desses grupos e pude assistir a apresentações de brasileiros, nos salões de bailes argentinos, dançando tango, samba, chorinho, lambada com muita plástica e beleza, arrancando aplausos efusivos da platéia. Lembro-me de ter assistido: Jaime Arôxa e Patrícia, dando maravilhosos shows de tango, samba e lambada; Paulo Araújo e Ângela Cepeda com belíssimos shows de tango; Valdeci de Souza, com belíssimos shows de chorinho, Marcelo e Vanessa Galvão, com belíssimos shows de samba de gafieira e, também em outras oportunidades os belos shows de chorinho, apresentados por Valdeci de Sousa e Cristina Ramos. 

Sem falar do brasileiro Júnior, mestre de tango, radicado na Argentina, hoje considerado um dos maiores expoentes do tango a nível mundial, o qual se apresenta  nos bailes de Buenos Aires, sempre de forma extraordinária, com as suas parceiras, entre outras, desde a Sílvia, de origem Argentina, uma das primeiras, passando por varias outras renomadas, ate o presente. Júnior teve desempenho destacado no filme Tango, de Carlos Saura e participou de uma tourné mundial, dançando com a Companhia de Júlio Iglesias, em 1999. 

Léa e eu, também fizemos apresentações de tango em Buenos Aires, em especial, em setembro de 1994 no Club Social Rivadavia, bem como nas ruas e na praça de San Telmo, na famosa feira de artesanato e antiguidades, que se realiza todos os domingos, nos apresentando ao público, com o famoso casal de amigos, Pochi e Osvaldo. Desses eventos, guardo  uma grande documentação fotográfica e filmes.  

No Rio de Janeiro, além dos já citados expoentes da dança, em particular do tango, que se apresentam com sucesso,alguns dos quais em Buenos Aires, destacam-se os casais: Valdeci de Souza e Cristina Ramos; Egídio e Neuza; Bob Cunha e Aurya Pires; Marcelo Martins e Vanessa Galvão; Márcio Carreiro e Vanessa; Plínio e Elis; Javier Amaya e Patrícia Cruz; Alex e Flávia; Álvaro Reis e Ângela Cepeda; Guilherme Pimentel e Renata Ferreira; Isnard e Liana/Mariana; Rogério Mendonça e Daniela Escudero; Jaime Arôxa e Bianca Gonzáles; Paulo Araújo e Laure; Eric e Jeusa, e outros. 

Atualmente, o intercâmbio do Mercosul cultural, vem propiciando a vários brasileiros ministrarem aulas de samba de gafieira, chorinho, lambada e música baiana em Buenos Aires, abrindo um importante mercado, não apenas para os profissionais do Rio de Janeiro, como também os de: São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador, além de outras capitais e do interior de estados Brasileiros, que estão tendo processo similar ao Rio de Janeiro, no desenvolvimento do tango, seguindo caminhos semelhantes. 

Tudo o que esta sendo feito pelo movimento do tango e, que  por certo será feito muito mais, tanto no Rio de Janeiro, como também, em todo o Brasil, seja através de  intercâmbios, shows, peças teatrais, bailes, workshops, palestras, aulas,  eventos comemorativos, eventos culturais, criação de poesias, composição de temas musicais, edição de livros, organização de associações  de tangueiros, criação de  home pages na Internet, programas musicais de rádio e televisão e também, com o  importante trabalho de profissionais dedicados, com crianças e adolescentes, tais como, os desenvolvidos com muito, amor, carinho, competência e, sobretudo, com muito sacrifício, por Raquel Mesquita, Álvaro Reis, Bob Cunha e Áurya Pires, além de outros, servirão, não apenas para solidificar cada vez mais a cultura do tango no nosso país, mas também, para estreitar os laços de amizade entre os povos, argentino e brasileiro.  

Procedimentos semelhantes, certamente irão ocorrer na cultura brasileira, de nossa música, ritmos e dança, principalmente do chorinho e do samba de gafieira, que são muito apreciados por nossos irmãos argentinos e, que serão com toda a certeza, uma razão de semelhante intercâmbio cultural, para o país amigo e vizinho, nos próximos anos. 

Não existem fronteiras, e nem barreiras que impeçam esse imenso e profundo, intercâmbio cultural, que ora, está ainda, apenas  em processo de gestação, pois o amor e a paixão dos brasileiros pelo tango argentino e o gosto crescente dos argentinos pelas coisas do Brasil, superam  até as rivalidades futebolísticas e todas as demais dificuldades, acontecendo tudo naturalmente, num processo histórico e transcendental.

Rio, RJ, 17/11/2001.

N.H.S.R.  

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Estágio do Movimento do Tango no Rio de Janeiro - 2004 / 2006

Este relato inicia-se no final do ano 2004 e tratou do início de um momento crítico, que passou a se evidenciar dentro do movimento do tango no Rio de Janeiro a partir daquela ocasião, quando as disputas pela liderança do movimento, a forte concorrência, o personalismo e o excesso de vaidades, por parte de alguns líderes e atores do movimento do tango, resultou numa cisão que o fez entrar em decadência. A partir de meados já do ano de 2005, aos poucos o movimento veio lentamente retomando a sua força de maneira constante e atualmente parece consolidar-se a cada dia, espalhado-se além das fronteiras cariocas, por todo o país. 

Referindo-se àquele momento, assim comentamos num editorial publicado neste site em dezembro de 2004:

Participo do Movimento do Tango no Rio de Janeiro desde o seu surgimento há cerca de 16 anos, tanto como dançarino, colaborador, promotor, professor de tango (profissional sindicalizado), como autor do livro "Tango Uma Paixão Porteña no Brasil" e de uma composição musical, em parceria com o Maestro Ubirajara Silva, do Tango "Milonga da Estrela Tuca" e como criador do portal Bardetango, na Internet.

Tenho vivenciado o desenvolvimento deste movimento através de uma participação ativa em toda a sua história, consignada na publicação que fiz em Jornais da Dança e na Internet na publicação da própria "História do Desenvolvimento do Movimento do Tango no Rio de Janeiro ".

Embasado no profundo envolvimento com o tango, que tenho como um hobby e profissionalmente, com grande prazer, além da responsabilidade assumida de contar a história do tango no Rio de Janeiro, vejo-me nesta oportunidade motivado a atualizar de uma maneira geral, o estágio deste movimento dentro de sua evolução, considerando que os eventos se repetem, tornando-se necessário e suficiente, apenas registrar o caráter geral de seu estágio atual, uma vez que os detalhes já foram detalhadamente contados na publicação da história e os fatos praticamente se repetem, variando apenas os protagonistas e demais atores. Assim o fazemos nesta oportunidade segundo a nossa visão pessoal.

Os Atores do Movimento do Tango

Podemos denominar atores do movimento do tango no Rio de Janeiro, os participantes em geral, principais responsáveis, professores, promotores, incentivadores, personagens, colaboradores e auxiliares anônimos. Todos, são bastante conhecidos no meio, muitos estão devidamente identificados nas publicações citadas e nos links indicados acima, de modo que torna-se desnecessário nomeá-los novamente nesta crônica, bastando referir-nos aos mesmos de forma impessoal, simplesmente como atores no processo.

Classificação dos Atores

Podemos classificar os atores e colaboradores do movimento do tango no Rio em: participantes em geral, dançarinos e  profissionais que vivem exclusivamente do tango ou, deste e da dança de salão ou, aqueles que por hobby, paixão ou, simplesmente por prazer, atuam voluntariamente e eventualmente como profissionais no movimento, auferindo rendimentos aleatórios que são via de regra, reinvestidos em seus próprios trabalhos voluntários de criação, produção, promoção e colaboração para o próprio movimento. Há também aqueles que colaboram com o movimento apenas por prazer ou, até por vaidade pessoal, o que também é válido, quando vem para somar (vaidade é muito comum no meio da dança de salão em geral, inclusive e principalmente no meio do tango).

O Movimento Tanguero Carioca

Falar do movimento do tango no Rio de Janeiro, é falar de seus