O Chorinho e o Tango Brasileiros

Um pouco dessa linda história

 

O TANGO E O CHORINHO BRASILEIROS 

Por: Ney Homero da Silva Rocha 

Parece surpreendente, a primeira vista, falar em tango brasileiro, pois a idéia que tem a grande maioria das pessoas mundo afora, e inclusive os brasileiros, é de que o tango só é coisa de argentinos e quando muito, de uruguaios. Mas, na verdade o tango também nasceu aqui no Brasil na mesma época de sua gênese na região rio-platense.

Talvez isso explique porque muitos brasileiros são amantes do tango, apaixonados pela música e pela dança que cada vez mais cresce no nosso País, repetindo no Brasil o mesmo fenômeno, que fez com que o tango argentino conquistasse quase todo o mundo desde as Américas até a Europa e a Ásia.

Na época do surgimento e da formação do tango, também chamado período da gênese do tango na região do Rio da Prata - Uruguai e Argentina, e também aqui no Brasil, as influências que deram origem ao “tango criollo”, mais tarde denominado "tango argentino", foram as mesmas que deram origem ao tango brasileiro.

As principais influências tanto no tango quanto no choro vindas da Europa foram da mazurca (Polônia), da polca e da valsa (Boêmia – atual Áustria), da country dance (Inglaterra) denominada contradança em Cuba, do schottisch (Escócia), que no Brasil passou a ser chamado de chótis – xote, depois de misturado com o baião e com o xaxado do nordeste, do passo doble - tango andaluz (Espanha - que tem grande influência árabe vinda dos mouros), da música clássica, do lírico (Itália), dos cuplés e varietés (França) e também, porque não dizer, da importante influência do fado de Portugal.

As principais influências africanas vieram do batuque do candomblé no Brasil e do “candombe”, dos uruguaios e argentinos. Já as influências regionais latino-americanas, vieram das músicas campeiras, principalmente a milonga tocada e cantada pelos “payadores” (cantores gauchos na Argentina e Uruguai - cantores gaúchos e sertanejos no Brasil). A habanera música de HavanaCuba, que havia se tornado o gênero musical “criollo” de Cuba, teve também grande influência na gênese do tango com a mesma linha melódica do lundu brasileiro.

Entre 1850 e 1995, o tango se transformava na sua gênese, sob as influências desses diversos gêneros, tanto na região rio-platense, quanto no Brasil e, por volta de 1870, já existiam no Brasil composições de tango e chorinho, executadas basicamente com os mesmos instrumentos com que se executavam os tangos "porteños" e uruguaios, isto é, guitarra (violão), flauta transversa, pandeirinho espanhol ou com o pandeiro brasileiro, violino e piano. Nessa época havia também entre os instrumentos de percussão os atabaques de origem africana, nos primeiros tangos originais que logo foram retirados, assim como, os pandeiros, ficando a percussão sendo executada somente no piano.

Diversos tangos foram compostos no Brasil nesta ocasião e também na região rio-platense, até que em 1895 em Buenos Aires, surgiu a primeira composição de um tango criollo para piano, segundo nos conta Horacio Ferrer, numa gravação histórica narrada por ele no CD, que é a trilha sonora de seu livro “El Siglo de Oro del Tango” -  Manrique Zago Ediciones, Buenos Aires – 1996.

Ouvindo esse tango deparamos com a incrível semelhança musical com os nossos chorinhos para piano de então, executados aqui no Brasil na mesma ocasião, por Chiquinha Gonzaga, Antônio Calado e Ernesto Nazaré, além de outros maestros contemporâneos. Mais tarde, Nazaré resolveu mudar o andamento de cerca de 80 de suas 93 partituras conhecidas do tango brasileiro para o chorinho, atendendo aos interesses das gravadoras que queriam direcionar o tango brasileiro para o chorinho com vistas ao samba que já começava a surgir considerado como o gênero genuinamente brasileiro.

Chiquinha Gonzaga, nessa mesma época, compôs diversos tangos brasileiros, tangos–choros, valsas, mazurcas, gavotas, lundus, polcas, polcas-tangos, habaneras, e também tocou composições do mesmo gênero, de diversos outros compositores brasileiros contemporâneos.

Posteriormente, surgiram novos compositores de tangos brasileiros, tais como; Lina Pesce, David Nasser, José Fernandes, Nelson Gonçalves e vários outros, no Rio de Janeiro e São Paulo, além do Rio Grande do Sul, onde as influências rio-platenses e gaúchas se fazem notar nas diversas composições de milongas e tangos regionais e no folclore gaúcho, muito parecido ao folclore argentino .

Isto explica porque desde Francisco Canaro a Mariano Mores, grandes maestros argentinos, assim como o grupo musical Família Lima, no Brasil, tocam chorinhos com andamento de tango e vice-versa, com é o caso do nosso Tico Tico no Fubá, um chorinho que é tocado por eles como tango e como chorinho, demonstrando as semelhanças originais. Isso explica também porque os argentinos têm verdadeira admiração pelo chorinho que qualificam como una hermosura.

O “tango criollo” argentino foi aos poucos se identificando com suas raízes porteñas e ganhando personalidade única, singular descaracterizando-se, com o passar dos anos, das semelhanças originais com o chorinho brasileiro, principalmente a partir da introdução do bandoneón, como instrumento musical principal e característico, que se identificou e que acasalou definitiva e eternamente com o tango.

Assim, por volta de 1910 na viagem do navio escola Fragata Sarmiento a Paris, o tango El Choclo foi levado como bandeira argentina da cultura do tango porteño, consagrando-o como música e como dança com um grande sucesso na França e em toda a Europa, retornando a Argentina como o autêntico tango argentino, e a partir de então, começou se disseminar em todo o mundo como música e dança através de professores argentinos e europeus.

Curioso, é que por decisão única da tripulação da Fragata Sarmiento, contrariando as ordens governamentais, o tango El Choclo consagrou o tango argentino na França, substituindo o tango La Morocha indicado pelas autoridades para representar o tango argentino em Paris.

O tango El Choclo que até então não tinha letra recebeu uma letra original que narra esta linda aventura consagradora do tango argentino na Europa e que acabou a partir desta história ganhando o mundo todo.

A Fragata Sarmiento, um navio escola igual a sua irmã a Fragata Libertad em atividade até hoje, se transformou num museu vivo desta estória e está ancorada no Porto Madero em Buenos Aires, podendo ser visitada diariamente.

El Choclo em sua letra diz... Carranca Funfa se hizo al mar con su bandera y en un pernó mezcló a París con Puente Alsina”

Rio de Janeiro, RJ 27/05/2011

Ney Homero da Silva Rocha

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  Biografia de Ney Homero e Cristina

Bailarinos e Professores de Tango

 

Ney Homero S. Rocha, iniciou o seu aprendizado de tango na Argentina - Bariloche, em setembro de 1987 e já a partir do mês de outubro seguinte, iniciou seu aprendizado de danças de salão no Centro de Danças Jaime Arôxa em Botafogo – RJ, lá permanecendo desde então por seis anos e meio, até meados de 1993. Aprendeu com o mestre Jaime Arôxa a dançar os mais diversos ritmos, samba, bolero, swing (soltinho), lambada (zouk) e tango, no qual se especializou com os mais renomados mestres argentinos em Buenos Aires a partir de 1991 e, também no Rio, com outros grandes mestres do tango argentino, inclusive com Éric Muller e Jeusa Vasconcelos, professores de renome internacional por cerca de 3 anos.

Com mais de 24 anos de experiência e intensa vivência como bailarino, no meio do tango no Brasil e na Argentina, formou-se professor de dança sindicalizado, com especialidade no tango, passando a ministrar aulas de tango desde o ano de 1995.

É um dos membros precursores do movimento do tango no Rio de Janeiro, tendo publicado no ano 2000, o livro "Tango Uma Paixão Porteña no Brasil", ano em que compôs o tango: "Milonga da Estrela Tuca" em parceria com o maestro Ubirajara Silva.

No ano seguinte, em 2001, criou na Internet o site Bardetango, desde então no endereço eletrônico, www.bardetango.com.br.

Iniciou a ministrar aulas de tango na Academia Ancestrais Gaia, na Barra da Tijuca por dois anos e meio entre 1996 e 1999 e em seguida, em vários clubes e academias. Até que passou a ministrar suas aulas no seu próprio local, o Bar Temático de TangoBardetango localizado na Barra da Tijuca - Rio de Janeiro e também em domicílios e condomínios na região da Barra, Recreio, Vargem Grande e Vargem Pequena, além da zona sul do Rio de Janeiro.

Ney e Cristina, sua parceira e professora assistente de tango, foram os primeiros casais de brasileiros a participar no ano 2001 do primeiro campeonato mundial de tango em Buenos Aires, competindo na categoria tango de salão até as semifinais com excelente desempenho.

No ano 2006, como convidados dos organizadores do Mundial de Tango de Buenos Aires, promoveram com muito sucesso, o Tango Rio 2006, o maior evento de tango jamais realizado no Brasil, como uma etapa classificatória para o IV Campeonato mundial de Tango de Buenos Aires, classificando dois casais, um na categoria tango e salão e ou na categoria tango cenário para participar já nas semifinais do IV Mundial de Tango de Buenos naquele ano.

No ano 2001, foram os campeões de tango na categoria Pro/AM no II International Dance Competition no Hotel Sheraton Rio.

Ney e Cristina formaram o Grupo Bardetango Show que se apresentou com muito sucesso em duas temporadas em Fortaleza e Guaramiranga, no Ceará em 2006 e 2009, levando o show também a outros locais no Rio de Janeiro e outras cidades.

São os organizadores, há mais de oito anos, do Bardetango & Choros, o mais tradicional evento de tango, que busca preservar a cultura do tango e do chorinho como irmãos gêmeos desde as suas origens. O casal se apresenta frequentemente em shows e pequenos encontros com palestras e conferências sobre o tango e o chorinho.

No Bardetango, estão sempre ministrando suas aulas de tango individuais e para casais, inclusive preparando coreografias para apresentações em casamentos, bodas e aniversários de debutantes.

Além de diversos prêmios de reconhecimento recebidos, entre certificados, medalhas e troféus, Ney Homero foi Premiado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 19 de dezembro de 1995, com a MOÇÃO DE CONGRATULAÇÕES, por sua contribuição oferecida ao desenvolvimento da Engenharia Sanitária do Estado do Rio de Janeiro e do País, assim como, também, por sua versatilidade, talento e qualidades artísticas como dançarino de diversos gêneros, na dança de salão.

Ney Homero da S. Rocha é engenheiro civil e sanitarista aposentado e perito judicial

 Criador do Bar Temático de Tango e Diretor do Bardetango: www.bardetango.com.br

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Maria Cristina Rita Otálora (argentina), iniciou seu aprendizado de tango no Consulado Argentino do Rio de Janeiro em 1994, num workshop com os mestres argentinos Esther e Mingo Pugliese. Tomou classes particulares com Norberto Esbrez e Alejandra, Marcelo e Alejandra, aulas em grupo com Javier e Patrícia e Paulo Araújo e, também aulas particulares com Ney Homero e vários outros professores argentinos e, também, aulas em grupo com Jeusa Vasconcellos. Há mais de quinze anos vem vivenciando o movimento do tango no Rio de Janeiro, com experiência de cerca de 11 anos como professora assistente de tango de Ney Homero, além de ser sua parceira e esposa neste mesmo período.

Maria Cristina Rita Otálora é advogada, jornalista, tradutora e intérprete de espanhol, inglês e português

 Diretora Presidente da Empresa de Consultoria Servimerco: www.servimerco.com.br

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